A Ericsson posicionou-se na vanguarda da pesquisa 6G com uma visão que vai muito além de melhorias incrementais de velocidade. A gigante sueca de telecomunicações visualiza um futuro onde as realidades digital e física se fundem no que chama de mundo ciberfísico — um ambiente mediado por rede onde os sentidos humanos podem ser digitalmente estendidos através da distância e do tempo.

O contínuo ciberfísico

No cerne da tese 6G da Ericsson está o conceito de um contínuo ciberfísico — uma camada de integração sem costuras entre o mundo físico e suas representações de gêmeos digitais. A Ericsson Research identificou quatro pilares: conectividade ilimitada com cobertura ubíqua, sistemas confiáveis com segurança integrada, redes cognitivas que usam IA para tomada de decisão autônoma, e tecido computacional que distribui processamento conforme requisitos em tempo real.

Internet dos Sentidos: além da transmissão de dados

O elemento mais provocativo do roteiro da Ericsson é a Internet dos Sentidos. A pesquisa de consumidores realizada em 14 países com mais de 46.000 entrevistados descobriu que 7 em cada 10 consumidores esperam que experiências de internet sensorial sejam mainstream até 2030.

Os requisitos técnicos são impressionantes. O feedback háptico remoto requer latência abaixo de 1 milissegundo. No MWC 2025, a Ericsson demonstrou uma plataforma de treinamento cirúrgico remoto combinando vídeo estereoscópico 8K com luvas hápticas, consumindo 12 Gbps de largura de banda sustentada.

Arquitetura de rede cognitiva

A arquitetura 6G proposta substitui a pilha de protocolos tradicional por uma malha de rede cognitiva. Agentes de IA operam em cada função de rede. O centro de pesquisa em Lund demonstrou que redes baseadas em intenção com modelos de linguagem reduzem o tempo de configuração de horas para segundos. A plataforma Gêmeo Digital de Rede reduziu incidentes em 40% em implantações piloto com Swisscom e SoftBank.

Estratégia de espectro e pesquisa em terahertz

A estratégia de espectro abrange três camadas: sub-7 GHz, 7-24 GHz e sub-terahertz (100-300 GHz). Em Kista, engenheiros alcançaram transmissões protótipo em 140 GHz a 100 Gbps por 100 metros. A Ericsson investe aproximadamente US$ 600 milhões anuais em pesquisa 6G e detém mais de 60.000 patentes.

Sustentabilidade como restrição de projeto

A Ericsson incorporou a eficiência energética como restrição de projeto primária para 6G. A meta é redução de 10x no consumo de energia por bit. Dispositivos de energia zero poderiam eliminar baterias para bilhões de endpoints IoT. A empresa estima redução de 15% na pegada de carbono da indústria.

Padronização e posição competitiva

A Ericsson molda ativamente o cronograma de padronização 6G através de posições de liderança no 3GPP, ITU-R e Next G Alliance. O cronograma prevê finalização dos requisitos IMT-2030 até final de 2027, primeiro padrão 6G até 2029 e implantações comerciais iniciais em 2030.

A visão 6G da Ericsson depende de se a Internet dos Sentidos provará ser comercialmente viável. As inovações em redes cognitivas e eficiência energética posicionam solidamente a empresa para a transição 6G por volta de 2030.